No momento que começo a escrever esse comentário a chuva cai. Este será o último comentário desse diário. Após seis meses morando em Itaúna, essa espécie de auto exílio não forçado, tenho a sensação que estou adaptado a rotina de trabalho e a dinâmica da vida social. Ao longo da vida alimentei o sonho de morar sozinho. Aproveitando da minha própria companhia. As escolhas e orientações que trouxeram-me até aqui não foram de forma alguma algo consciente. Muito do comportamento, desejo, ação e decisão foram tomadas de forma inconsciente. Ao escrever 66 comentários, tive como objetivo rastrear algumas pistas subjetivas que fizeram com a vida mudasse radicalmente. Hoje, posso afirmar, que sou outra pessoa, mas em essência permaneço o mesmo. Mudei para continuar acreditando na vida e na sociedade. Não necessariamente, num sentido de crença, mas, num sentido de legitimidade diante a existência. Aliás, a linha entre a crença e legitimidade e tênue. Cheguei em Itaúna - MG por acreditar no sonho de uma vida digna, isto é, atrás do reconhecimento de uma humanidade.
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